segunda-feira, 9 de março de 2009

Calendário de 2009

A coordenação do Projeto de Extensão IDEA - Espaço de Arte informa que as suas atividades de exposição na Galeria do Centro de Convivência da FURG estão temporariamente suspensas até que questões internas em relação ao espaço físico sejam definidas.
Pedimos aos nossos visitantes e artistas expositores que aguardem o breve retorno das atividades do Projeto.

Roseli Nery

domingo, 9 de novembro de 2008

Texto de Apresentação - Superficialidade

Superficialidade pode ser um superlativo para o olhar ou para o contato?
(...)

Entre o vidro das grandes janelas e o lago tudo parece um pouco outro lugar. Entre as mesmas janelas e o que está dentro, tudo me parece uma ante sala. Percebo que neste espaço há uma situação que propõe um estado de atenção.

O que expor numa sala com um lago à frente?

Buscar o ponto até onde o olhar alcança é sempre um exercício que permite compreender melhor o que minha mão pode tocar.

Se o vidro for muito fino, a mão se recobre de atenção?

Três trabalhos tentam estabelecer um pensamento que situe, através de objetos e imagens deles, o sujeito que está inserido nesta sala.

Parapeito pode ser uma linha para parar o olhar?

Não em outro lugar, mas nas distâncias que seu próprio corpo aponta, nas situações de memória e de confronto.

Quando os olhos reconhecem o limite do que está diante deles, onde está a zona de rebentação?

No vídeo, que roda ininterruptamente, a seqüência de imagens propõe um deslocamento, um passeio que entrecruza o que é interno e o que é externo, tudo como superfície, parte alongada do mesmo.

Quanto tempo é possível ficar sem respirar?

O objeto apresentado, ambíguo ao ponto de ser absolutamente possível, coloca-se ao centro da sala como uma referência. Um paralelo entre a paisagem e o espaço expositivo. O outro lugar e a ante sala passam a ter mais em comum.

Quando o corpo descansa?

Próximo à parede, há um longo desenho que discretamente se constitui como uma sobreposição de brancos. A borracha inchada que dá corpo as linhas, introduz o grafismo do mesmo modo que o desenho tradicional, por sobreposição. Contudo, isto faz com que ela se reveze entre a acomodação e a possibilidade de explodir devido à pressão interna.

Se a superfície puder afundar, submersa, ela torna-se mais intensa?
O reconhecimento é produzido pelo contraste?
(...)

Martha Gofre
Considerações que moveram a realização da exposição Superficialidade,
IDEA-Espaço de Arte, FURG, Rio Grande, RS.
novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Proxima Exposição - Superficialidade - de Martha Gofre

De 11 a 26 de novembro
Abertura dia 11 de novembro às 17h30
Encontro com a artista dia 11/11 às 15h30

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Texto de Apresentação BRICOLEUR

Ranhuras em transição: obra em obras.

Alexandre Lettnin traz ao público a oportunidade de observar algumas transições ocorridas em sua poética “As Ranhuras do Sensível”, construída através da coleta de fragmentos visuais da paisagem urbana que, depois de gravados em pedaços de madeira e entintados, são re-organizados no ato da impressão, repetindo, justapondo ou rebatendo as matrizes, acrescentando dessa forma, um novo conceito para cada obra.
A primeira transição pode ser observada no aspecto técnico: as madeiras, anteriormente utilizadas como matriz, passam a ocupar a função de suporte para impressões; as matrizes, utilizadas normalmente para imprimir, passam a servir como pochoir e aproveitadas assim, na pintura que, por sua vez, constitui uma re-pintura ou urdi-pintura, pois, é confeccionada em forma de urdidura com o reaproveitamento de tecidos de antigas telas. O desenho que até então constituía um instrumento subordinado à gravura passa a figurar no espaço expositivo através de materiais como o carvão e o fogo. De maneira igualmente transitiva, a temática “experienciações com a estética das cidades”, freqüente em seu trabalho, cede lugar a tentativas de estabelecer contatos com o ser humano presente no espaço urbano, com sua brevidade temporal, sua impossibilidade de transformação de um mundo fadado à repetição: momento em que o artista nos leva a refletir a respeito de questões atuais como exclusão social, acidentes aéreos e violência. Neste contexto, a figuração é utilizada a meio termo através de silhuetas escuras que aprofundam a relação tema/matéria com configurações que permitem vislumbrar a materialidade da obra em sua relação figura e fundo.
As razões de todo este proceder bem como as suas transformações, Lettnin encontrou nos escritos do antropólogo Claude Lévi-Strauss: “é sabido que o artista tem, ao mesmo tempo, algo do cientista e do bricoleur: com meios artesanais, ele elabora um objeto material que é também um objeto de conhecimento”; o artista, a exemplo do bricoleur, continua tentando arranjar-se com “meios-limites” (segundo Lévi-Strauss), visto que o seu restrito universo material não mudou: os utensílios são os mesmos, porém imbuídos de funções diferentes. Ao público fica o convite de tirar destes objetos de conhecimento, suas próprias sensações e reflexões.

André Lautenschläger

Escritor pelotense,
antropólogo,
especializado em Identidade Social pelo ICH/UFPel.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Próxima Exposição: Bricoleur

BRICOLEUR

Alexandre Lettnin


De 6 a 21 de outubro de 2008




terça-feira, 23 de setembro de 2008

Exposição Entre.meios 2008


Ana Maio


Teresa Lenzi


Roseli Nery



Michael Chapman


Marcelo Calheiros


José Flores


Ivana Nicola Lopes


Geraldo Roberto da Silva


Cleusa Peralta Castell


Claudio Maciel

De 7 a 27 de agosto de 2008
Entremeios e variedades

Entremeio: S.m. 1. Aquilo que está de permeio; intermédio. 2. Espaço, ou espaço de tempo, entre dois extremos; intervalo...

Entre.meios é o título da exposição anual dos professores do Curso de Artes Visuais-Licenciatura da Universidade Federal do Rio Grande que ocorre desde o ano de 2006. O objetivo desta atividade é apresentar e compartilhar com a comunidade universitária e riograndina uma amostra parcial dos trabalhos desenvolvidos por este corpo docente. Sua importância reside no fato que, ainda que parcial, a mostra é sempre representativa dos diversificados interesses que movem estes docentes em suas investigações nas mais diversas disciplinas e áreas artísticas.

Entre.meios, excelente opção para intitular a exposição de um conjunto de práticas artísticas contemporâneas, de um grupo de pessoas que compartilham um tempo histórico marcado pela velocidade, complexidade, diversidade e multiplicidade. E nenhum nome poderia ser mais apropriado para referir-se e ou caracterizar as práticas artísticas atuais que, em geral, comungam apenas o fato de trabalhar com a variedade. Beatriz Sarlo1, já há algum tempo utilizou esta expressão para designar a arte contemporânea, entendendo que a arte da variedade seria a arte que ‘(...) Cruza e sobrepõe realidades diferentes entre si: cultura de massa, grandes tradições estéticas, culturas populares, linguagens próximas do cotidiano, tensão poética, dimensões subjetivas e privadas, paixões públicas (...). Seria a arte na qual cada artista ‘(...) possui estratégias próprias para escolher matérias e deliberar sobre formas, suportar limites ou transgredi-los, falar ou calar-se diante da própria produção.’ Seria ainda a arte na qual ‘(...) a variedade instaura-se porque os artistas trabalham com instrumentos que são aprendidos, modificados ou inventados individualmente; porque alguns experimentam a plenitude do significado e outros não têm certeza de que algo possa ser de fato dito; porque há uma rede invisível de experiência e cultura, de razão e imaginação, de coisas sabidas e de coisas que jamais serão sabidas, diferente para cada um’.

E esta é a ‘realidade’ do conjunto de ações e práticas artísticas que compõem o cenário daquilo que, na ausência de uma definição mais precisa, denominamos como arte contemporânea: uma ‘arte’ ‘(...) que sabe "estar no meio": entre as várias disciplinas artísticas, entre o objeto estético e aquele comercial, pois é nos intervalos entre um campo e outro que se encontra uma energia intensa e estimulante’. E assim é de fato como se delineia o contingente das práticas artísticas na atualidade: sem programas definidos, sem fronteiras estilísticas ou ideológicas, integradas ao sistema que tais práticas ao mesmo tempo questionam e tentam compreender; experiências abertas às possibilidades socioculturais.
O conjunto das obras apresentadas na exposição Entre.meios 2008 corrobora estas especulações. Roseli Nery cria peças a partir de atividades rotineiras e objetos comuns, revelando um olhar delicado sobre coisas aparentemente insignificantes deste que é o nosso cotidiano rápido, mediatizado e pasteurizado.
José Antonio Vieira Flores expõe uma composição, sem título, executada a partir de imagens fotográficas tratadas em meio digital e impressa em suporte vinílico.
Teresa Lenzi apresenta uma peça videográfica intitulada ‘Es que al final solo quedan imágenes, imágenes, imágenes...’ na qual enfoca e a partir da qual indaga sobre a importância dos acontecimentos reais diante de uma realidade predominantemente imagética, virtual e fugaz.
Cleusa Peralta Castell expõe infografias que fazem parte de um conjunto de ilustrações que elaborou para um livro publicado pelo NEMA - e que estão inevitavelmente ligadas às experiências e pesquisas de caráter pedagógico e socioambiental que desenvolve.
Michael Chapman, por sua vez, elege dentre seus trabalhos, os pôsteres infográficos concebidos a partir do propósito de dialogar em situações de conflito estético, ideológico e lingüístico (uma atividade que vinha desenvolvendo no Exploding Galaxy, exemplificadas nas declarações ‘Não existem dois elefantes iguais’, ‘Eu sou Não Sou’ e ‘Meu nome é Sem Nome’).
Ana Maio participa com o vídeo intitulado “O que resiste ao tempo?”, uma montagem construída a partir de frases-cartazes que recebeu de presente da artista Maria Ivone dos Santos.
Claudio Maciel, por seu turno, apresenta Dreamspeed I. Quatorze peças, de dimensões variadas, em fotografia digital, compostas pela justaposição e ou sobreposição de duas ou mais imagens provenientes de realidades distintas: uma vista do interior numa manhã com neblina, outra da imagem reproduzida sobre a superfície de uma lâmina de alumínio numa manhã de sol.
Ivana Maria Nicola Lopes traz à luz nesta exposição, objetos de sua história pessoal. Objetos carregados de memória como um muito antigo caderno de desenho encontrado em uma gaveta, e miniaturas do cotidiano.
Marcelo Calheiros expõe algumas peças da série denominada ´... a pele da minha infância...!. São objetos (opacos e translúcidos) transformados e reestruturados (forma, função, estética) a partir do uso da massa de modelar e das condições do lugar onde serão serem colocados.
Enfim, está é uma exposição constituída de práticas artísticas aparentemente muito diferentes entre si, mas que tem em comum, de uma maneira ou de outra, o fato de que atuam na variedade e na ausência de fronteiras disciplinares, e especialmente se encontram conectadas às circunstâncias e problemáticas estéticas e socioculturais contemporâneas.
...

Teresa Lenzi
Julho 2008

1. Beatriz Sarlo, El Lugar del Arte, in FABRIS, Annateresa. Percorrendo veredas: hipóteses sobre a arte brasileira atual. REVISTA USP, São Paulo, n. 40, dezembro/fevereiro, 1998-99, p. 68-77.
2. idem. Francesca Alinovi, L’Arte Mia in L’Arte Mia, Bologna, II Mulino, 1984, pp.43-7.